Uma gaúcha que persistiu e venceu no mundo do caminhão

Oiê! Como vão vocês? Tudo bem aí na estrada? Gente, história de pessoas guerreiras que estão aí lutando pra sobreviver do caminhão é o que não falta viu! A partir de hoje, vamos trazer algumas delas para vocês conhecerem. São exemplos de grandes mulheres que batalham muito e que chegaram lá depois de muito esforço e luta.

Hoje vamos conhecer a motorista gaúcha Cleusa Ximendes. Ela tem 51 anos e há 25 tirou habilitação categoria C, mas nunca tinha dirigido um caminhão nem pensava em ser motorista. Cleusa tem três filhos já adultos e quatro netos e sempre diz, orgulhosa, que batalhou para que seus filhos estudassem e tivessem oportunidades na vida. Ranieli, a mais velha, é enfermeira e deu dois netinhos para Cleusa. Ariel, o do meio, é empresário em Pelotas (RS) e acaba de ter uma filhinha, a Helena, neta mais nova da Cleusa que, infelizmente, por causa da pandemia, ela ainda não conheceu pessoalmente. O mais novo é o Deriel, estudante de Engenharia na Federal do Rio Grande do Sul. "Ele estudou muito, se dedicou, e passou no vestibular da Federal sem fazer cursinho. Hoje ele estuda e trabalha e está trilhando seu caminho", diz a mamãe carreteira, toda orgulhosa.


O começo de tudo
 

Cleusa contou pra gente que começou no caminhão meio que por acaso. Ela tinha habilitação C e trabalhava em uma oficina diesel. "Eu usava um Opalão pra ir até o cliente e entregava os caminhões que a gente consertava. Eu ia de primeirinha e segundinha, já treinando o pé no acelerador, sempre com muita vontade de pegar um caminhão pra dirigir. Depois disso consegui uma oportunidade para dirigir um caminhão trucado", conta Cleusa.

Ela trabalhou em diversas empresas de transporte em Porto Alegre, capital gaúcha, sempre com caminhões truck, mas seu sonho era mesmo dirigir uma carreta e ganhar o mundo pelas estradas do Brasil.

Para isso, ela precisava da habilitação Categoria "E". "Era difícil, porque eu não ganhava muito dinheiro, tinha três filhos pequenos, e precisava batalhar pra conseguir a habilitação. Tentei cinco vezes e bombei nas cinco. Eu não tinha instrução, não tinha ninguém pra me ajudar ou ensinar. E a cada tentativa, tinha que gastar mais dinheiro pra poder tentar de novo. Era caro e eu fui fazer faxina por fora pra poder complementar minha renda e custear a habilitação", diz.


Um momento de fé
 

Diante das dificuldades, Cleusa insistiu em seu sonho. Depois de dois anos com a Carteira E, ela conta que teve um problema de saúde e ficou três meses internada. Saiu fraca, com dores nos pés e sem dinheiro e com fome. "Nesse momento, eu poderia ter desistido. Mas tive fé. Pedi a Deus que me abrisse alguma oportunidade e saí caminhando pela cidade de Porto Alegre", relata a caminhoneira.

Foi aí que, ao passar na porta de uma transportadora em Porto Alegre, Cleusa entrou e ofereceu seus serviços de motorista. Para sua surpresa, a empresa precisava de alguém que tivesse habilitação Categoria E e ela já tinha conquistado o documento.

"Foi muito emocionante. Eles me deram uma chance e ainda puseram um motorista mais experiente para me treinar, em ensinar os detalhes da carreta. Caí logo em um rodotrem e fiquei seis meses só manobrando e engatando. Aos poucos, fui pegando a estrada, fazendo viagens curtas. Depois disso, já com experiência, fui contratada como motorista de viagem e até hoje puxo rodotrem pelas estradas brasileiras", contou Cleusa à reportagem da Voz Delas.


Oportunidade para quem não tem experiência
 

Cleusa está contratada por uma grande empresa gaúcha de transporte de cargas há nove meses. Ela dirige um cavalinho extrapesado e puxa um rodotrem grade baixa, transportando leite, arroz e bobinas. "Quando peguei o rodotrem, ninguém me ensinou muito como se manobra. Aí, coloquei alguns galhos de árvore na carreta, pra usar como referência, fiz uma marcação com graxa e fui treinando, ganhando experiência. Hoje, tenho orgulho de dizer que manobro e dirijo qualquer tipo de composição sem dificuldade. Meu sonho é poder dar essa chance para outras pessoas também", relata a guerreira das estradas.

Segundo Cleusa, seu sonho é trabalhar para trazer oportunidades para motoristas, principalmente mulheres, que têm habilitação profissional, mas não tiveram treinamento e não têm experiência na tocada. "É muito difícil, quase impossível uma empresa de transporte dar chance pra alguém habilitado, mas sem experiência. Isso aconteceu comigo, mas acho que foi uma chance em um milhão, coisa de Deus. Agora, quero usar meu dom, meu talento no volante, para ajudar as pessoas a terem uma oportunidade como motoristas. É isso que peço a Deus", finaliza Cleusa Ximendes.


Deixamos aqui o contato da Cleusa para quem quiser ajudar nesta iniciativa: 54 - 98166-5615
 

Gostaram da história? Que exemplo de mulher caminhoneira né? Desejamos que Cleusa consiga realizar seu sonho e que possa ajudar mais mulheres a conquistar seu espaço como motoristas profissionais. Ficou inspirada? Então vai lá, pega seu caminhão e parte pro próximo frete! Não se esqueça de dirigir com cuidado e boa viagem!

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