Uma caminhoneira que renasceu das cinzas

Solange Fênix é exemplo de persistência e de como ser caminhoneira melhorou a qualidade de vida e as perspectivas. Ela começou dirigindo um "Mercedinho" 710 e hoje é motorista de carreta especializada em produtos perigosos

Oiê! Como vão as coisas! Vamos curtir mais uma história de uma caminhoneira guerreira que nos inspira? Hoje vamos contar a saga da Solange Fênix, motorista de Praia Grande, no litoral paulista, que ralou e se dedicou pra se transformar em uma motorista de carreta de produtos perigosos.
 
Um caminho árduo

Solange já é motorista há 21 anos e hoje tem um casal de netos e a vida estabilizada. Ela trabalha como carreteira de tanque em uma empresa paulista e ajuda a movimentar a cadeia de químicos no Brasil. E quem a vê hoje, se surpreende com sua trajetória, que começou em 1999 dirigindo um caminhão "Mercedinho" 710 para uma grande empresa de encomendas expressas.

"Ser motorista de transporte de químicos exige bastante atenção e treinamento. É muita responsabilidade, mas basta seguir os procedimentos que tudo dá certo. Hoje sou feliz no volante do caminhão, mas essa história começou com muita dificuldade. Caí na profissão de caminhoneira pela necessidade de melhorar financeiramente", relata Solange.

"Fiz tudo sozinha"

Até chegar a ser motorista, Solange Fênix trilhou um caminho longo e difícil. "Não sou filha, neta, nem parente de caminhoneiro. Por isso, ninguém na minha família me ajudou, me ensinando a dirigir ou orientando para eu me habilitar. Fiz tudo sozinha", conta ela.

Solange era casada e tem uma filha. Ao se divorciar, viu em sua nova realidade que teria que seguir sozinha. Ao contar sobre os dias difíceis, ela se emociona e lembra: "Cheguei a passar fome. Eu tinha CNH categoria B e estava depressiva nessa época. Algumas amigas começaram a me chamar para sair e elas falavam que eu dirigia bem e que deveria ser a motorista da rodada. Eu topei", diz Solange.

Depois disso, ela viu que poderia trabalhar dirigindo e tomou dinheiro emprestado para fazer o curso de transporte de passageiros e mudar de categoria em sua habilitação. Sua meta: ser motorista profissional de vans de passageiros do tipo lotação na região da Baixada Santista. "Tirei a carteirinha da cooperativa e fui trabalhar. Naquele ano, eu vivi somente para trabalhar, pagar contas e juntar dinheiro. Eu trabalhava como balconista em uma mercearia das 14 às 22 horas e, das 23 horas até o dia amanhecer, eu fazia o transporte de passageiros", revela a motorista.

Cansou e partiu para procurar emprego em outra área. Ela conta que procurou por muito tempo. "Um certo domingo, olhando os jornais do dia, eu fui ver meu horóscopo e, sem querer, abri o jornal na página de classificados. E lá estava: PROCURA-SE MOTORISTA FEMININA. Anotei os dados e fui atrás. A empresa era a Braspress e eles estavam começando a contratar mulheres para dirigir os caminhões", lembra Solange.

Começou num "Mercedinho"


 
Solange ficou mais de dois meses esperando e tinha até desistido de ter alguma expectativa com a vaga mas, depois desse tempo, a empresa entrou em contato e a chamou para uma entrevista. De acordo com Solange, o entrevistador perguntou: "Você dá conta?"

"Eu respondi: moço você não tem ideia do que uma mulher como eu é capaz de fazer", disse ela. E bastou isso para que o recrutador a chamasse para um teste. Ela passou com louvor no teste e o trabalho era dirigir caminhão leve na cidade, fazendo coletas e entregas. "Trabalhei muito tempo no Mercedinho 710 e tive a felicidade de conhecer a carreteira Sonia Maria Monte, QRA Andorinha da Madrugada. Ela se apresentou para mim e me chamou para conhecer a matriz da Braspress, que, na época, era na Vila Guilherme. E eu me encantei com aquilo. Vi a operação, as carretas chegando e saindo e decidi que eu queria ser motorista carreteira".

Depois de juntar dinheiro e fazer sua prova para tirar a CNH E, Solange conta que passou de primeira na prova e foi promovida para dirigir caminhões maiores, trucados. Depois disso, trocou de empresa e finalmente realizou seu sonho de dirigir carretas. Ela relata que puxou contêiner, baú, tanque, bitrem, rodotrem e foi finalmente contratada pela empresa atual, onde faz o transporte rodoviário de produtos perigosos. "Não foi fácil, tive que ser muito persistente, mas consegui chegar onde eu queria. Hoje sou feliz fazendo o que faço, tenho dois netos e uma família criada. Claro que ainda temos dificuldades, mas com fé e garra a gente supera tudo", finaliza Solange Fênix, que contou que escolheu este QRA porque literalmente sua vida renasceu das cinzas com o caminhão.

Música e papel do pai

"Se tem uma coisa que eu adoro nessa vida é música. Eu toco violão e aprendi a tocar com o meu pai. Ele me ensinou muita coisa. A música é algo que me faz feliz e me dá prazer. Tive muitos momentos difíceis nessa vida e uma vez tive que vender o violão que ganhei do meu pai. Quando me levantei de novo, trabalhando com caminhão, consegui comprar um violão novo. Eu tenho até algumas músicas minhas, que guardo somente para mim. Meu pai teve um AVC e não consegue mais tocar. E eu toco para ele ouvir. Música é uma parte muito boa da minha vida, assim como o caminhão", conta a caminhoneira. Ela diz que, quando toca violão ou liga o motor do caminhão, desliga dos problemas e nada mais importa.

Curtiu a história da Solange? Fique com a gente para conhecer mais histórias de mulheres guerreiras e inspiradoras que vivem do caminhão. E conte com a gente aqui, na Voz Delas! Boa viagem!

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