Um jovem casal que encara os desafios da estrada com alto astral e profissionalismo

Oiê! Como vão as coisas por aí? Hoje é dia da gente trazer mais uma História das Estradas para você! Neste espaço, contamos as histórias de vida de caminhoneiras e cristais que inspiram e ensinam que a vida na estrada tem seu lado bom, seus momentos de alegria e satisfação. E é justamente neste clima de alegria, de escolha pela vida no caminhão, que vamos contar a saga da Jaqueline Fernanda Morilas, ou simplesmente Jak Morilas, uma cristal de 29 anos que acompanha seu tuba, Marcos Vinicius Santana, em todas as viagens, a bordo do caminhão próprio deles. Eles são de São Pedro do Ivaí, no Paraná.

De caminhão, eles rasgam o mapa do Brasil todo fazendo frete como transportadores autônomos e a Jak começa com um recado muito especial: "Nós escolhemos viver do caminhão. Às vezes, as pessoas acham que o caminhoneiro, a caminhoneira ou a cristal estão na estrada fazendo frete, viajando, por falta de opção de vida. Pelo contrário! Nós amamos a estrada, amamos esta vida e escolhemos, desde muito jovens, ser transportadores. Eu larguei um emprego bom, em uma sala com ar-condicionado e vários benefícios, tinha acabado de me formar quando caí na estrada. Tenho diploma em Segurança do Trabalho", conta ela, cheia de orgulho.

E foi desde cedo mesmo que eles começaram. O Marcos Vinícius se tornou motorista de caminhão aos 19 anos de idade. Ele vem de uma família com uma longa tradição de caminhoneiros, desde seu avô e seu pai. "O Marcos sempre quis ser caminhoneiro. Tirou carteira profissional aos 18 anos e aos 19 já trabalhava no truck. Teve que esperar até 21 anos para poder se habilitar com categoria E e trabalhar com carreta, mas foi só uma questão de tempo mesmo. Com 21 anos ele já era carreteiro", diz Jaqueline.

Uma circunstância da vida

Jaqueline e Marcos se conheceram em 2010 e começaram um namoro. Ela conta que, com dois meses de relacionamento, Marcos teve um acidente de motocicleta. "Ele teve traumatismo craniano e paralisia cerebral. O acidente fez com que ele perdesse parte da memória recente e ele não lembrava mais de mim! Como naquele filme em que o personagem do Adam Sandler tem que reconquistar o amor dele todos os dias. O Marcos não lembrava que me namorava. Ele apenas recordava que eu era a Jak, uma garota que morava perto da casa dele. Isso me deixou muito triste e abalada", relata a jovem cristal.

Todos os dias, Jaqueline ia para a casa de Marcos e ficava horas conversando com ele, relembrando as histórias do relacionamento deles e sobre as viagens de caminhão. "Demorou para ele começar a se lembrar. Um dia, ele veio me contar uma coisa que realmente tinha acontecido com a gente recentemente e me disse que lembrava do nosso namoro. Mas isso não tinha muita importância, porque ele já estava gostando de mim e se apaixonando de novo (risos). Alguns meses depois ele recuperou a memória por completo", conta Jak.

Neste intervalo de tempo, Marcos estava se profissionalizando e fez um acordo com seu pai para assumir o caminhão da família e pegar a estrada, com a promessa de que ele teria seu caminhão próprio ao final de três anos. Jaqueline estava se formando em Segurança do Trabalho e tinha um emprego em uma fábrica de uniformes profissionais. "Eu trabalhava em minha sala, com ar-condicionado, tinha benefícios e salário garantido. Tinha acabado de pegar meu diploma também. O Marcos veio falar comigo e propor que eu fosse com ele, pegasse a estrada junto para trabalhar e pagar um caminhão próprio pra gente. Eu disse a ele que topava, mas que, se eu não gostasse da vida na estrada, iria voltar para o emprego na fábrica", diz Jaqueline. E eles partiram para a estrada. A esta altura, Marcos já havia completado 21 anos de idade e estava habilitado com categoria E.

Vida de carreteiros
 

Marcos e Jaqueline trabalharam por três anos fazendo frete com a carreta da família, juntando dinheiro para comprar um caminhão mais novo, só deles. "Nós morávamos com os pais dele e não tínhamos salário. Trabalhávamos apenas para pagar as contas e juntar o dinheiro do caminhão. E foi assim por três anos. No final desse período, tivemos um desentendimento com o pai do Marcos e não pudemos comprar nosso caminhão. Foi muito frustrante. Pegamos nosso único bem, um carro de passeio, e vendemos para financiar uma casa própria. O Marcos conseguiu emprego de motorista em uma transportadora e seguimos viajando", ela diz.

Em seu emprego, Marcos conquistou a simpatia do dono da transportadora, que decidiu ajudá-lo a comprar seu caminhão próprio para fazer fretes no segmento de siderurgia, aço, ferro e sucata. "O nome do patrão do Marcos era Carlos e ele ofereceu ajuda, disse que admirava a nossa luta, a nossa vida de batalhar juntos na estrada. Disse que reconhecia o nosso esforço e, porque éramos honestos e trabalhadores, ele iria nos ajudar a comprar um caminhão", conta Jaqueline. O empresário transportador financiou o caminhão no nome da empresa e Marcos e Jak conseguiram pagar o financiamento.

Turismo e alegrias pelo Brasil
 

Jaqueline relata que isso já faz três anos. Desde então, ela e seu marido viajam juntos pelo Brasil de caminhão próprio, trabalhando com frete. "Graças a Deus, desde então, foi só bênção nas nossas vidas. Nós amamos trabalhar e viajar juntos. Somos felizes na estrada. É claro que nem sempre são alegrias. Tem os momentos difíceis, tem falta de estrutura nas estradas, perigo para os caminhoneiros, frete defasado, lugar ruim para parar, desrespeito por parte de algumas pessoas. Mas o lado bom compensa demais. Somos apaixonados pela liberdade das rodovias. Como não temos filhos, aproveitamos nossas viagens para visitar os lugares turísticos do Brasil, como a Serra Gaúcha e suas vinícolas maravilhosas, o litoral do Nordeste, o Pantanal".

Uma cristal raiz
 

E Jaqueline segue contando, com orgulho, que se envolve em todas as tarefas do caminhão e ajuda seu "tuba" no que for preciso. "Eu negocio frete, não deixo passar frete defasado. Sei negociar muito bem. Eu ajudo com as comunicações, com a documentação do caminhão e da carga, com as finanças. Participo da carga e da descarga, ajudo a colocar e tirar a lona da carreta. Sou o braço direito dele, somos uma parceria que dá certo, um não vive sem o outro. E somos felizes demais com esta vida!", diz.

Quando perguntada sobre qual é seu maior sonho, Jaqueline dispara sem pensar: ter habilitação para dirigir carreta. "Estou prestes a realizar meu sonho. Aprendo muito na estrada com o Marcos e com os outros caminhoneiros e outras caminhoneiras que encontramos. Quero ser habilitada para que possamos revezar no volante do caminhão, trabalhar mais e render mais. Queremos nos desenvolver e prosperar nesta profissão, ter caminhão novo, faturar bem e construir nossas vidas em cima deste trabalho", conclui a futura caminhoneira.

"Que bom que estão pensando na gente!"

Jaqueline conhece o Movimento A Voz Delas e sempre entra aqui no site para ler os conteúdos publicados para as caminhoneiras e cristais. "Eu gosto muito do conteúdo, tem qualidade e utilidade pra gente que vive na estrada. E acho que este movimento da Mercedes-Benz é uma iniciativa muito necessária. Eu já fiquei muitas noites esperando na rua, sem poder entrar com meu marido para descarregar. Já vi muito posto na estrada que tinha somente um banheiro, para uso comum de homens e mulheres. E vi gente falando mal da gente, dizendo que quem está na estrada não estudou, não teve outra oportunidade. Pois eu já disse e reafirmo que é a nossa escolha. Portanto, o Movimento A Voz Delas é muito bem-vindo na nossa vida! Que bom que estão pensando na gente!", diz Jaqueline.

Uma história boa pra finalizar
 

Jaqueline conta que os amigos do casal que não são caminhoneiros têm muita curiosidade sobre a vida no transporte de cargas. "Estávamos em um churrasco na casa da nossa família com vários amigos que não são caminhoneiros e que tinham curiosidade sobre a caixa cozinha do caminhão. Começamos a contar como era fazer a comida na estrada e todos pediram para irmos para a rua ver o caminhão de perto e ver a caixa cozinha. Eram duas da manhã. Paramos o churrasco e fomos todos para perto do caminhão. Eu preparei um arroz carreteiro para todos, para que eles soubessem como era comer na estrada. Foi muito divertido, foi uma novidade para eles e uma grande satisfação para nós, pois mostramos nosso modo de vida com orgulho", conta Jaqueline com satisfação.

Gente, viram que história legal? Um casal jovem que vive e prospera na estrada, trabalhando juntos e construindo uma vida. Quer ler mais histórias inspiradoras como esta, que valorizam a profissão de motorista, as caminhoneiras e as cristais? Fique sempre aqui com a gente, no Movimento A Voz Delas. Boa viagem!

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