Histórias das Estradas: Diva Constância de Araújo, uma vida guiada pela paixão de dirigir
13/04/2026
A paixão pela estrada pode nascer de muitas formas. Para Diva Constância de Araújo, de 66 anos, ela nasceu cedo e nunca mais saiu do coração.
“Minha paixão é dirigir.”
Casada com um caminhoneiro, Diva conheceu as estradas ainda jovem, acompanhando o marido em muitas viagens. Mas a vida mudou de forma inesperada quando ela ficou viúva aos 27 anos, com duas filhas pequenas e grávida de dois meses.
Foi nesse momento desafiador que a direção se tornou mais do que uma paixão — virou também caminho de sustento e independência.
A estrada como recomeço
Determinada a seguir em frente, Diva entrou para uma empresa de transporte urbano em Jundiaí. Gostou tanto da profissão que nunca mais parou de dirigir.
Ao longo dos anos, acumulou experiências diversas no setor. Trabalhou em uma empresa de asfalto, transportando equipes de obras entre diferentes frentes de serviço — experiência que inclusive a levou até a Bahia, sempre ao volante de um ônibus.
Depois disso, passou 14 anos trabalhando com van escolar, em um negócio próprio.
Mas a estrada sempre chamava de volta.
A primeira motorista da empresa
Algum tempo depois, Diva fez um cadastro no PAT de Jundiaí e foi chamada para uma vaga no transporte rodoviário de passageiros.
No início, ela imaginou que seria para um cargo interno, mas recebeu uma surpresa: a empresa queria testar mulheres para atuarem como motoristas no transporte rodoviário.
Diva aceitou o desafio — e fez história.
“Tenho muito orgulho de ser a primeira motorista feminina da empresa.”
Apesar da conquista, ela decidiu seguir outro caminho profissional, buscando oportunidades que se adequassem melhor à sua realidade.
Uma vida dedicada ao volante
Depois da experiência no rodoviário, Diva passou a trabalhar no transporte fretado, área em que construiu uma longa trajetória.
Hoje, ela faz parte da equipe da Viação Piracicabana, empresa parceira do A Voz Delas onde diz se sentir feliz e reconhecida pela profissão que escolheu.
“É o que eu sei fazer muito bem e amo o que faço.”
Além de motorista, Diva também é manicure profissional e já teve um salão de cabeleireiro. Mesmo assim, nenhuma dessas atividades conseguiu substituir o amor pela direção.
“Não tem jeito. Sempre volto a dirigir.”
Dirigir é parte da vida
Para Diva, estar ao volante vai muito além do trabalho. É uma responsabilidade e também uma missão.
“Tenho respeito no trânsito, muita calma e consciência do meu trabalho. Me sinto responsável por muitas vidas que levo todos os dias.”
E quando fala sobre parar de dirigir, ela é sincera:
“No dia que tiver que parar de dirigir, acho que a vida acaba.”
Com décadas de estrada, Diva segue inspirando outras mulheres a acreditarem que também podem ocupar esse espaço.
“Quero ainda ver muitas mulheres na direção pelas estradas.”
Grata pela trajetória construída, ela reconhece quem fez parte dessa jornada.
“Agradeço a Deus e à Viação Piracicabana pelo reconhecimento.”
Uma história de coragem, persistência e amor pela profissão — daquelas que mostram que, quando a estrada está no coração, ela se torna parte da própria vida.



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